sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ENTENDENDO AS NEUROSES





Entenda como neurose somatizações, ou seja, elementos não compreendidos dentro da psique que afloram com determinada freqüência. As neuroses podem ser estáticas ou dinâmicas. São estáticas quando seu foco de ativação é sempre o mesmo argumento. São dinâmicas quando o foco de ativação é divergente, ou seja, o indivíduo busca por assimilação sempre relacionar o fato de sua somatização a outro elemento não relacionado, ampliando ainda mais a referenciação ao problema. Existem níveis e níveis de neuroses, mas em todo caso no primeiro sinal delas é bom procurar um psicólogo que oriente melhor a carga somática, diminuindo sua robustez, e deixando a mente com menos conflitos. Veja a seguir alguns tipos de neuroses:

Neurose por identificação sexual: Max afirma para a sociedade que não e gay. Possui namorada, fala mal de homossexuais para afirmar sua sexualidade. Aliás não gosta nem que toquem no assunto, pois não gosta de ouvir falar em “bichonas”. Mas Max tem um caso com Piedro. Os dois se encontram esporadicamente às escondidas. Ninguém pode saber do relacionamento entre os dois. Max é capaz de negar de “pés juntos” que ficou com um homem mesmo se alguém o vir com outro “cara”. O equilibro de Max é a anonimidade. O seu desequilíbrio ou neurose é ser descoberto. Ele é capaz de “entrar em parafuso” se alguém duvidar de sua masculinidade. Nestes casos e outros similares mesmo que você saiba do comportamento sexual enrustido de seu amigo ou amiga a melhor coisa a fazer é ignorar o fato para que a pessoa não fique paranóica até que ela trabalhe com sua própria psique e esteja pronta para assumir sua sexualidade de forma plena.

Neurose por perseguido: Adriane foi expulsa do grupo de estudos porque não deixava as pessoas concentrarem em suas tarefas escolares. Adriane passou a culpar o grupo pela exclusão. Qualquer coisa que acontecia, para ela era como se as pessoas estivessem de má fé procurando uma forma para prejudicá-la. Neste caso o fato é que a pessoa não procura conhecer a si para tentar descobrir os elementos internos que a fazem distanciar das outras pessoas. O indivíduo está muito centrado em sistema de ação e reação. Onde este último é sempre algo pessoal, interno e tencionalmente. A melhor forma é o esclarecimento para que a pessoa que se sente excluída não fique procurando razões de forma dinâmica. Existe neste caso uma tendência natural ao isolacionismo e também ao suicídio como repúdio ou reação ao grupo. Diálogos constantes fazem bem para todas as partes.

Neurose por retórica. Caio sempre tem razão. Ele é o dono da verdade. Quando alguém expõe um fato ele sempre tem que dizer sua opinião contrária. Os pensamentos não são contrabalançados e é motivo de discussões seguidas onde só existe um ganhador – Ele, Caio. Este comportamento é típico de pessoas que estudam muito. São quase sempre “superiores” no modo de pensar e não aceitam críticas. Elas tendem a levar para o campo pessoas quando tais críticas ocorrem. São polarizadoras de opinião. Está sendo abordada aqui sua fase mais crítica, quando a pessoa perdeu a sensibilidade ou autocrítica. Geralmente tais indivíduos só dão ouvidos a outros indivíduos de mesmo nível intelectual ou superiores na forma de mestres do saber. Estes podem orientar seus tutorados a terem um comportamento mais moderado.

Neurose por irritabilidade. Luana não percebe, mas toda vez que alguém a contraria ela se irrita. Tenta expor a qualquer custo sua insatisfação criando um clima de mal estar no grupo. É fato que a única coisa boa neste comportamento é que o sistema imunológico é ativado com maior freqüência, porém do ponto de vista cardiovascular esta pessoa está mais propensa a ter problemas do coração que uma pessoa que tem uma vida mais serena. Fazer a vontade de Luana significa deixa-la mais satisfeita. Por outro lado é uma forma que ela desenvolveu para que as pessoas sempre fizessem as coisas segundo o seu modo de pensar. É uma faca de dois gumes. O melhor caminho é desenvolver o senso crítico em Luana para que ela pare de controlar as pessoas ao seu bem querer.

Neurose por convicção ideológica. Carla é temente a Deus. Ela gosta tanto da vida no Senhor que quer a sua vivência seja traduzida para outras pessoas. Carla não para de falar no Evangelho um minuto. Tenta levar a todos para a salvação. A mesma que ela está inserida. Para Carla somente ela está certa e os demais precisam ser salvos. Isto depende única e exclusivamente dela que é temente a Deus. Não importam aqui os princípios que as outras pessoas possuem. Eles todos são falsos. Somente os princípios de Carla é que estão certos. Este tipo de neurose por convicção ideológica ou neurose da fé, pode ser controlado através do esclarecimento de Carla por parte de pessoas do mesmo grupo social em que ela está inserida, pois ela saberá ouvir seus semelhantes.

Neurose por audiência. O ator Juscelino quer sempre estar na mídia. Falem de mim! Não importa os meios, a sensação de ser visto ou ouvido torna a pessoa pública um objeto de desejo, um objeto a ser conquistado, ser ouvido, ser copiado. Marketing pessoal é uma coisa, publicidade excessiva é um tipo de neurose crônica. Muitas vezes é tarde demais voltar, pois personalidades têm sua vida pessoal devastada. E os menores rumores, os lugares onde a pessoa transita,... são objeto de especulação da mídia. Então muitos entram numa esfera de destruição da imagem. Não querem ser mais vistos... diminuir um pouco o furor em torno de si, para serem pessoas mais felizes. E caem em suas próprias armadilhas, pois o público cobra por notícias e isto torna a publicidade mais rentável. Em forma de ciclo o processo se reinicia. Todas as personalidades devem ter acompanhamento psicológico, pois são vitrines. Sofrem por manipular e serem manipuladas.

Neurose por eficiência. Farias é sempre o melhor. Ele faz o serviço primeiro que os outros. Não mede esforços. Trabalha final de semana e feriados. Tudo para ter o serviço em ordem. Internamente ele se compara com os demais. Tem prazer pela eficiência. Em tese critica a não habilidade dos demais para responder prontamente as ações necessárias para o desenvolvimento do trabalho. É um tipo de neurose que muitas empresas gostariam de ter funcionários assim, mas pelo lado do clima organizacional este indivíduo sem querer gera insatisfação nos demais empregados. Uma melhor distribuição de tarefas pode tirar Farias de sua neurose, porém ele não pode se sentir insatisfeito uma vez que a frustração provocada poderia gerar uma sensação de depressão provocada por não ter gerido bem sua eficiência.

Neurose por medo. Coisas simples para Clarissa geram medo. Medo de que não acorde cedo para chegar ao trabalho. Medo que as pessoas não venham gostar de alguma coisa que ele tenha feito, medo de ser assaltada, medo de ser despedida. Enfim, tudo gera insegurança em Clarissa. Geralmente existe uma tendência das pessoas que têm este padrão exagerado de comportamento de fazerem com que as pessoas próximas também sintam o mesmo temor que ela está sentido. Quando as pessoas estão convencidas que o temor é real para as “Clarisses” da vida isto é sinal que ela deve ampliar sua angústia. A melhor forma para fazer com que tal pessoa volte ao seu estado normal de tranqüilidade é transmitir segurança e explicar outros pontos de vista não abordados por Clarisse.

Neurose por consentimento. Alex concorda com tudo. Paulo pode dizer que é Corintiano que Alex irá torcer contigo para que o time ganhe o campeonato. Mas se Carlos, que também é amigo de Alex torce pelo Flamengo, Alex sem dúvida é flamenguista desde o dia que nasceu. A questão aqui é a opinião formada que será sempre aquela que melhor agrada os ouvidos do interlocutor. A intenção não é ser falso, mas sim querer ser sociável. Só que a medida já passa da normalidade quando os outros indivíduos percebem que se trata de uma neurose. A melhor forma de ajudar uma pessoa assim não é dar conselhos e sim dar de presente um livro que ensina as pessoas a terem senso crítico.

Neurose por bondade. Vanessa quer o bem de todos. É capaz de sair da fila de um banco para dar lugar a outra pessoa. Não quer nada em troca. Conforma-se com tudo. Não tem sonhos para melhorar de vida, pois tudo está bom. Ela sempre ajuda a todos de forma desinteressada. Muitas pessoas que têm este comportamento extremado agem muitas vezes em nome da consciência ideológico-religiosa. São vítimas de alguns indivíduos que se intitulam mais “expertos” que se aproveitam da intensidade de comprometimento que tais pessoas têm por outros seres humanos e abusam da boa vontade deles. Neste caso quando a neurose já estiver crônica a melhor pessoa para reorientar a psique de Vanessa seria seu tutor espiritual que lhe daria ensinamentos de sabedoria para que as ações mal intencionadas de terceiros não preponderem sobre seus momentos de bondade. Quando possível um psicólogo também é conveniente.

Neurose por limpeza. Raquel não suporta ver sujeira. Quer tudo limpo. Ela é capaz de limpar uma mesa e se sentir que ainda está suja de limpar novamente repetidas vezes enquanto não ter a sensação de que tudo esteja limpo. Raquel pode estar caminhando para um transtorno obsessivo compulsivo (TOC). A neurose neste caso é um estágio anterior onde a doença dá os seus primeiros sinais de vida. Em casos como este é interessante procurar um psicólogo antes que a doença se converta em TOC. Cursos de higiene e limpeza também podem ajudar, uma vez que os profissionais da área irão orientar os indivíduos no uso racional dos materiais de limpeza e higiene. Dar dicas e conselhos que poderão melhorar a qualidade de vida de Raquel.

Neurose por estima. Guto não pode ver alguém olhando com a cara feia para ele que logo fica triste. Guto não está em depressão, mas se não for feito algo logo ele poderá entrar. Se alguém faz uma brincadeira com ele a respeito de seu peso, ele não consegue esconder a tristeza. Ter baixa estima faz de Guto uma pessoa muito vulnerável às ações de terceiro. Nem todo mundo tem a sensibilidade para perceber até que ponto está ou não interferindo na psique de outra pessoa. Guto é uma pessoa extremamente sensível e requer cuidados especiais que não o deixem entrar numa depressão. Por outro lado Laura é uma pessoa extremamente positiva. Tem um vigor invejável. Sua auto-estima vai às alturas a todo o momento. Suas habilidades cognitivas são tão fortes que chega um ponto que as pessoas a sua voltam se cansam com tanta disposição e energia. Isto gera incomodo para o grupo. Ambos os casos podem requerer acompanhamento psicológico.

Neurose por ansiedade. Maria acabou de fazer a prova para o cargo de Analista do Tesouro Nacional, na prova estava escrito que o resultado do gabarito somente iria sair às 10:00 horas do dia seguinte. Maria não espera, ela chega a casa e liga o computador para ver se o resultado já saiu. Ela não vê o resultado, não se conforma pega o número e liga para o órgão que fez o concurso. Ninguém atende. Fica angustiada a noite inteira, dorme mal com medo que o resultado preliminar não saia. Quando levanta liga as 07:00 horas da manhã para saber se o resultado vai sair mesmo conforme o horário prometido. Ninguém atende, pois o expediente é a partir das 08:00 horas. Inconformada liga o computador para ver se tem alguma mensagem informando. Não tem nada exposto. Depois de mais momentos de angústia o horário de abertura do órgão chega e ela liga novamente. Desta vez atendente confirma que o horário de previsão do gabarito preliminar é as 10:00 horas. Maria tenta se distrair não consegue,... entra minutos antes do horário na internet novamente. Fica atualizando a página minuto por minuto na expectativa de aparecer o link da prova. Quando aparece acaba a energia em sua residência. É o fim para Maria, ela chora como se tivesse sido reprovada. Neste caso é bom procurar aconselhamento a um profissional enquanto o caso não está muito avançado.

Neurose por flatulência. Max não podia sentir um mau cheiro que acreditava que era ele o responsável. Instintivamente seu organismo fabricava gases que prejudicavam seu convívio social. Cada vez mais que acreditava que estava fedendo, mais o seu organismo reagia e começa a soltar seus gases. Ele fora ao médico fez todos os exames imagináveis e o resultado foi negativo. Não havia nada orgânico que identificasse que estava com algum problema instintivo. Para aliviar um pouco o odor passou a selecionar os alimentos que ingeria com a finalidade de não causar tanto incômodo nas pessoas em sua volta. O diagnóstico médico para seu caso era que se tratava de um problema neural não orgânico, cuja cura foi possível graças a um tratamento de choque que o fez esquecer por 3 meses seguidos do problema. Ficando curado em seguida. Neste caso específico os medicamentos instintivos não ajudavam a aliviar a fabricação dos gases que se formavam espontaneamente a todo o momento.

Neurose por interferência psíquica. Margô diz ter sido abduzida. Depois disto passou a sentir sua vida de forma diferente. Ela fez regressão hipnótica que comprovou que não havia acontecido coisa alguma com ela, mas ela não acreditava da confrontação científica. Passou a ter comportamentos estranhos. Hora levantava a mão e dizia que ela havia levantado sozinha sem sua vontade. Atribuía estas anomalias aos seres extraterrestres. Ela passou a conviver com disfunções motoras cujo cérebro não comandava as ações segundo sua própria vontade. Cada vez que estava mais convicta que tinha sido abduzida mais as disfunções progrediam. Margô precisa neste caso um sério acompanhamento psiquiátrico e psicológico.

Neurose por multiplicidade de personalidade. Fernando Pessoa, grande mestre da arte de escrever possui personalidades múltiplas. Ele encarnava determinados tipos de personagem e escrevia conforme o comportamento individualizado de suas criações. Na vida prática quando alguém tem um comportamento múltiplo desta forma ela canaliza ações e reações adversas em relação ao grupo que estiver inserida no momento. Tais pessoas entendem seus próprios comportamentos como uma forma de melhor adequar ao padrão social de um determinado subgrupo. O vício de múltiplas personalidades pode ocasionar uma neurose capaz das pessoas fazerem rotações seguidas de personalidade para efetuar uma comunicação. Em todo caso quando alguém caminha para isto convém um acompanhamento psicológico para equilibrar a mente da forma mais adequada.

Neurose por perseguição. Paula é chefe de 5 pessoas. Ela não está contente com o serviço dos seus subordinados. Então Paula traça uma campanha feroz de desmoralização dos “5 elementos”. Paula quer humilhar, dizer que não trabalham direito, que são preguiçosos,... Paula quer encontrar de qualquer forma um motivo que justifique a dispensa de pelo menos um para servir de exemplo para o grupo. Então ela inventa uma tarefa para Priscila que sabe que a pobre moça não será capaz de fazer. A chefe vê Godofredo tirando uma xérox particular. Era a oportunidade que dispunha. Até que Priscila fosse fazer o serviço errado seria muito tempo. Godofredo salvou Priscila de ser despedida. Agora era ela o eliminado. Pessoas, como Paula, com esta característica precisam de acompanhamento psicológico.

Neurose por identificação. Yago vê uma novela, um personagem perde o emprego. Então Yago passa a se comportar como se fosse perder o emprego também. Ele escuta uma pessoa dizer que está revoltada porque o preço da gasolina irá aumentar. Então Yago absorve o boato e passa a criticar o governo antes do acontecido. Yago é um misto de ação versus reação no mesmo sentido do interlocutor. A personalidade do personagem fictício desenvolve-se de acordo com a moda ou transmissor da informação. Tais pessoas são massas de manobra e são facilmente induzidas a cometerem atos impensados. É bom neste caso o desenvolvimento de um pensamento crítico para contornar o problema, mesmo que significa reduzir um pouco a popularidade de Yago.

Neurose por traição. Marcus foi traído por Alessandra com Andréia. Marcus não entendia porque Alessandra sua esposa praticou um comportamento deste contigo. Não conseguia para de falar em Alessandra. Até recorreu a bebida para sair do transe de pensar na traição sem parar. A coisa só piorou, chorou, cantou de galo, ficou tenso,...Ele passou a não se sentir homem suficiente. Terminou o relacionamento e daí começou a próxima neurose em seguida (ciúmes).

Neurose por ciúme. Beatriz casa com Marcus. Um dia Beatriz chega tarde do serviço porque perdeu o ônibus. Marcus começa: Onde você foi? Com quem tava? O que estava fazendo? Já tem quantos anos que vocês estão juntos? Por que você me traiu? Quantas vezes vocês já ficaram juntos? É homem ou mulher? Como é que você faz isto comigo? Por que não foi sincera? Eu não sou homem suficiente para você? E depois do interrogatório Marcus começa a chorar. Beatriz fica brava diz que não quer mais saber dele, coloca a amiga no telefone para confirmar que o transporte não havia passado. Marcus se arrepende e chora novamente pedindo perdão pela desconfiança. Tanto na neurose por traição quanto por ciúmes é bom um aconselhamento de casal por parte de um psicólogo.

Neurose da dúvida. Será só imaginação? Será que vamos conseguir vencer? Será que tudo isto em vão? Será que passaremos noites inteiras talvez correndo da escuridão? Será que nossos egoísmos irão destruir nossos corações? Será... a pessoa está sempre disposta a duvidar casualmente. Até determinado ponto é tolerado uma vez que instiga outras pessoas a raciocinar. Mas as pessoas à volta do indivíduo tem propensão a começar reagir negativamente em relação ao agressor (aquele que faz gastar energia neural). A neurose neste caso é caracterizada pelo exagero intencional no qual a pessoa não percebe o jargão utilizado. Será que você compreendeu bem as neuroses? Se cuidem e até o próximo capítulo de Conceitos Complexos.

Autor: Max Diniz Cruzeiro

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