sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Considerar a metáfora paterna





Algumas reflexões sobre a mudança no conceito de metáfora paterna e sua implicação na direção da cura, especialmente na posição do analista. Assim, de ação simbólica fundante de uma estrutura, aos Nomes do pai como possibilidades de amarração da estrutura que é agora definida pelo enodamento do real, imaginário e simbólico, e carrega uma perda que exige escrita e não apenas articulação significante.


O conceito de castração; a função do falo como objeto especular que se distingue do falo, objeto imaginário, sem representação especular e operador na castração ou como significante (seja de desejo, seja de gozo); e a função do pai foram trabalhados por Lacan ao longo de toda a sua obra.

A fórmula da metáfora paterna aparece pela primeira vez no texto “D'une question préliminaire à tout traitement possible de la psychose” (1957/58). Os seminários “As Psicoses” e “A Relação de Objeto” antecederam e prepararam sua escrita.

Em 1958, Lacan pronuncia uma conferência em alemão, cujo título “Die Bedeutung des Phallus” foi traduzido “A Significação do Falo”. Tal tradução pode encobrir o paradoxo do termo Bedeutung que carrega dois sentidos: o já citado, “significação”, e também o de “referente”. Lacan se reporta a esta “péssima tradução” (embora diga que não encontrou equivalente melhor) pois Bedeutung... designa a relação com o real”.

Em novembro de 1963, Lacan pronuncia um único seminário “Les Noms du Père” (interrompido pela sua expulsão da IPA), tema anunciado nas últimas lições do seminário sobre a angústia. Já naquela época, questionava sua própria teorização sobre a metáfora paterna e o Nome-do-Pai. Dez anos depois inicia o seminário “Les non-dupes errent” e em seguida “R.S.I.”, heresia.

Por que faço esta escolha entre os diversos seminários e escritos de Lacan?

Para lhes dizer que os conceitos de castração, falo e Nome-do-Pai precisam ser percorridos em sua obra. Para lhes sugerir que a nossa apropriação desses conceitos supõe situá-los nos diferentes momentos de sua elaboração teórica e supõe ser possível ressignificá-los a partir de outros dados. E mais ainda, quando Lacan toca a dimensão do herético estamos diante de um ato de subversão. Produz-se uma comoção tal que a psicanálise surge modificada, instaura-se uma práxis no equívoco, que suporta o real.

Assim, nos anos sessenta, a metáfora paterna pode ser considerada a escrita lacaniana do complexo de Édipo e da castração. Ação simbólica, fundante de uma estrutura pela introdução do elemento de falta no universal, cujo efeito é inscrever o sujeito na lei e na filiação, marcado pela culpa, pela dívida e pelo desejo. Sujeito dividido nesta estrutura significante que sempre produz perda.

Culmina na produção da significação fálica, metafórica ou metonímica. Mas, algo escapa: enigma que incide sobre o desejo materno, sobre o desejo do Outro.

Na fórmula da metáfora paterna, o desejo da mãe comporta relação a um x que, do outro lado, é o falo. O que a mãe deseja falta. Como o mesmo termo está no numerador e denominador, esse pode ser barrado e o Nome-do Pai metaforiza o desejo da mãe:
Porém, esse x, enigmático, sem barrar, permanece, efeito da própria inscrição na linguagem e no discurso. Ao mesmo tempo, abre-se uma passagem possível para a questão do gozo feminino, que Lacan vai desenvolver mais tarde. Isto é, apesar da necessária interdição do Nome-do-Pai e porque há essa interdição demarca-se o falo como significante de desejo e de gozo e, também, a possibilidade de ultrapassar este limite: o gozo não fálico.

O significante Nome-do-Pai foi usado, muitas vezes, numa dimensão religiosa, de garantia. Porém, o Outro não assegura nem a verdade, nem o gozo. É o que Lacan enfatiza em seus últimos seminários. Ao pluralizar o Nome-do-Pai, ao escrever “les non-dupes errent”, mostra que não há o significante regulador do gozo, “desidentifica” o analista deste lugar... e propõe trabalhar o equívoco que a própria linguagem carrega.

Os nomes do pai vêm suprir o erro estrutural humano promovendo uma certa estabilização e não têm a mesma função que na metáfora paterna, inauguradora da estrutura.

O sujeito ao se confrontar com a perda estrutural, a falta de garantias e inconsistência do Outro, apresenta respostas sintomáticas. Para o analista se coloca a questão de responder do lugar que mantenha aberto o espaço do desejo articulado ao gozo, no desassossego que recusa a idealização, a identificação; sem deixar o paciente cair como objeto; sem oferecer “respostas tranqüilizantes” e, também, sem se omitir...

Lacan diz em algum lugar que a práxis psicanalítica não é impossível. É difícil. Na conferência de Bruxelas, afirma que as histéricas desempenharam um papel social preciso: em seus salões acontecimentos intelectuais, artísticos se difundiam e “ao escutá-las Freud inaugurou uma forma inteiramente nova de relação humana”. Porém, hoje a “doideira” psicanalítica substitui os sintomas histéricos. Televisão, jornais, revistas, etc. se ocupam da psicanálise e os analistas são instigados a falar sobre qualquer assunto, fora de seu campo, desamarrados do discurso psicanalítico, desamarrados do real.

Chamado a comparecer, participando do tecido social o analista não pode responder que não há ninguém... Assim não consideramos a omissão uma saída, embora seja possível e, às vezes, tentadora...

Entre a “doideira” e a omissão não haveria alternativas?

Sem se esquivar, reconhecer o limite da psicanálise, posição esta que não é clamor de verdade, nem revolucionária, nem busca convencer. Subversiva, talvez. Algo passa pelo equívoco. Analista errante na estrutura de dogma, faz seu caminho de questionamento, sustentado por um discurso marcado pela finitude, não dá garantias. Diferente do discurso religioso, que se supõe eterno e não, contingente. E sendo datado, tem algo de acontecimento. Este lugar do analista vai ficando mais claro nos últimos textos de Lacan, demarcando uma nova clínica que responde cada vez com mais precisão à dimensão do real. Não se trata portanto de imaginário, de sintomas novos, mas é preciso desvencilhar-se de velhos conceitos psicanalíticos que beiram a ideologia. Os sintomas de fato variam, porque em cada época histórica o sujeito recolhe fios da trama social para tecê-los. No início do século passado, assistimos à decadência do pai. Freud, com o complexo de Édipo e o mito do pai primevo, em parte obturou esta falha, tentando dar consistência a algo que desvanecia. Lacan analisa essa consistência e provoca a ruptura neste ponto já frágil, mas não de qualquer forma. Aponta a ex-sistência. Não fala nem além do pai, nem além do falo. Não se supera o pai, nem se fica livre dele. A questão é outra: a relação com o real. A função não é apenas do falo como significante ou como objeto, mas função escritura e o falo como letra. O real tem que ser escrito e não superado. Ultrapassar o pai é uma demanda neurótica para não escrever nada. Os psicanalistas, como qualquer um, estão inscritos no simbólico, submetidos à sua dimensão de verdadeiro-falso; certo-errado. Desta forma podem se instalar do lado imbecil do saber, alienados a algum significante do ideal ou ao próprio fantasma.

A própria teoria psicanalítica pode imbecilizar – por exemplo, a amarração do complexo de Édipo, percebida como a única possível – embotando a descoberta de outras e o trabalho com o real. Daí a importância da interlocução com um ponto fora do discurso psicanalítico para desalojá-lo de sua própria debilidade mental. Assim, os analistas ficam advertidos do ponto fora: o que ex-siste é fundamental.

Se não há garantia da tomada do sujeito no campo do Outro, este enganche depende do acaso, é acidental, poderia não ter ocorrido e o modo como cada sujeito se inscreve na estrutura não só é precário como muito particular. Em análise não se trata de retificação...

Trata-se de tocar um real que não se move. A escritura que faz a borda do real é uma invenção de cada análise. Em que momento as palavras passam à escritura? Quando se perde o sentido como significado; como significação metafórica e metonímica, defrontando-se com o sentido: não há relação sexual.

Então, deste trabalho no particular também nos implicamos na psicanálise em extensão (em escolas, hospitais, prisões, etc.) e somos convidados a generalizar para a mídia. Acrescente-se o risco de se extraviar no preconceito ou na demanda...

Talvez o que o analista tenha a dizer se relacione, em síntese, com limites (inclusive o da própria psicanálise), com o franquear destes (os sintomas, comportamentos impulsivos) e como abrir passagem para o desejo e o gozo, sem passagem ao ato.

BIBLIOGRAFIA

LACAN, Jacques. Intervenciones y textos – 2. Buenos Aires: Manantial, 1988. . O seminário, livro XXII: R.S.I (s.n.t.), 1974-75.
. Propos sur l'hystérie. Conferência de Bruxelas, 26/fev./1977, reproduzida in Suplemento belga La Lettre Mensuelle de l'École de la Cause Freudienne.


cred.:Maria Lúcia Salvo Coimbra
Círculo Psicanalítico De Minas Gerais - CPMG

SUMÁRIO

A Travessia da Fantasia na Neurose e na Perversão (1)




A descoberta da psicanálise é a descoberta do inconsciente e Freud a apresenta em três grandes livros inaugurais: A Interpretação dos Sonhos (1900), A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901) e Chistes e sua Relação com o Inconsciente (1905). Esses três livros – segundo Lacan, três obras canônicas em matéria de inconsciente – expõem a estrutura do inconsciente tal como ela é: articulada com a linguagem. É o inconsciente que aparece na descoberta da psicanálise.

Em 1905, ano da escrita do livro dos chistes, Freud escreve um outro livro fundamental: Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Octave Mannoni chama a atenção para o fato de que Freud tinha duas mesas de trabalho diferentes, uma para cada obra, e descansava de uma escrevendo a outra. Essa é uma observação interessante, porque os Três Ensaios é a obra na qual Freud introduz, pela primeira vez, o conceito de pulsão, ou seja, é um livro que trata da questão da sexualidade e do gozo. É como se Freud descansasse desse livro, escrevendo outro, mais prazeroso, que é o livro dos chistes, livro que apresenta especialmente a estrutura do simbólico, ou seja, da linguagem. Inconsciente e pulsão, então, são os dois conceitos fundamentais da psicanálise que são trazidos nos primeiros anos da descoberta freudiana.

O Ciclo da Fantasia
Logo em seguida, de 1907 a 1911, podemos isolar um período, na obra de Freud, que parece ser dedicado à fantasia. Chamemo-lo de ciclo da fantasia. Delírios e Sonhos na Gradiva, de Jensen (1907) inicia uma série de artigos dedicados à questão da fantasia sob inúmeros aspectos e prismas diferentes: a fantasia na sua relação com o sintoma, a fantasia na sua relação com a criação literária, a fantasia na sua relação com o romance familiar, as teorias sexuais infantis etc. São vários artigos que constituem uma espécie de núcleo do desenvolvimento da fantasia em Freud, que, durante esses anos, parece ter se debruçado, exclusivamente, sobre o tema.

Esse ciclo se encerra em 1911, com a escrita de Formulações sobre os Dois Princípios do Funcionamento Mental, que, embora não se encontre no grupo de artigos metapsicológicos, é um artigo que traz a metapsicologia da fantasia.

É importante notar que Freud caminha do inconsciente, chega até a pulsão e, muito rapidamente, trabalhará a fantasia. Essa percepção traz algo bastante novo que desenvolvo a seguir: a concepção da fantasia como sendo a articulação entre o inconsciente e a pulsão. Essa parece ser uma nova forma de definir a fantasia, que nos faz ver fatos novos. A fantasia é a articulação entre inconsciente e pulsão, ou, nos termos de Lacan, a fantasia é a articulação entre o simbólico e o real.

É preciso chamar a atenção para o fato de que, em 1911, Freud não escreve somente o artigo das Formulações, a metapsicologia da fantasia, mas, também, outro ensaio magistral, o Caso Schreber, ambos publicados no mesmo número da revista Imago. É nesse caso que Freud, pela primeira vez, consegue trazer à luz a lógica do delírio paranóico. Depois de um longo período de elaboração sobre a questão a fantasia na neurose é que ele pôde, então, se debruçar sobre aquela do delírio na psicose e extrair a sua lógica inerente.

Essa diferença entre fantasia e delírio parece denunciar, em Freud, uma nítida distinção estrutural-clínica entre neurose e psicose. Essa distinção, que nesse momento aparece de forma conceitual, ligada aos conceitos fundamentais, após o advento da segunda tópica, na década de 20, será trabalhada diretamente ligada à clínica, nos dois importantíssimos artigos Neurose e Psicose e A Perda da Realidade na Neurose e na Psicose, ambos de 1924.

No primeiro artigo, Neurose e Psicose, Freud conclui que a diferença entre neurose e psicose é que na segunda haveria uma perda da realidade. Dois ou três meses depois, porém, ele escreve o segundo artigo e o inicia corrigindo sua afirmação:

Recentemente indiquei como uma das características que diferenciam uma neurose de uma psicose o fato de em uma neurose o eu, em sua dependência da realidade, suprimir um fragmento do isso (da vida pulsional), ao passo que, em uma psicose, esse mesmo eu, a serviço do isso, se afasta de um fragmento da realidade. Assim, para uma neurose o fator decisivo seria a predominância da influência da realidade, enquanto para uma psicose, esse fator seria a predominância do isso. Na psicose a perda de realidade estaria necessariamente presente, ao passo que na neurose, segundo pareceria, essa perda seria evitada.

Isso, porém, não concorda em absoluto com a observação que todos nós podemos fazer, de que toda neurose perturba de algum modo a relação do paciente com a realidade servindo-lhe de um meio de se afastar da realidade, e que, em suas formas graves, significa concretamente uma fuga da vida real (2).


O desenvolvimento desses dois artigos, que parecem ser um único, apresenta embutido nele um raciocínio que implica a distinção entre fantasia e delírio. Não é à toa que o segundo artigo desemboca exatamente nessa distinção. Nos últimos parágrafos, Freud marca explicitamente que a perda da realidade na neurose é diferente daquela na psicose. Na primeira há ainda certa manutenção de um vínculo com a realidade, ao passo que na segunda há uma perda radical dele.

Trabalhando esses artigos, ocorreu-me uma coisa engraçada: a idéia de que, ao escrevê-los, foi Freud quem perdeu a realidade. Isso aparece nitidamente nesses escritos. Quando digo que Freud a perdeu, é porque ele acaba concluindo que a realidade é sempre perdida. A noção de realidade é problematizável, a partir da noção de real de Lacan, e Freud, nesses textos, antecipa avant la lettre essa categoria.

É interessante notar também que, três anos depois dessa distinção estrutural entre neurose e psicose, a partir da fantasia e do delírio, Freud, pela primeira vez, escreverá um artigo que traz uma teoria consistente do fetichismo, talvez, para ele, o paradigma da perversão.

Ele havia, em 1909, elaborado a questão do fetichismo num texto apresentado na Sociedade das Quartas-Feiras, conferência publicada na Revista Internacional da História da Psicanálise(3), mas, naquele momento, ele não tinha alguns elementos que só desenvolverá depois.

Há certo fio inconsciente no trabalho de Freud. Ele, como todos nós, também estava mergulhado no inconsciente. Quando escrevia sobre algo, não poderia saber da articulação do seu próprio inconsciente e aonde ela o levaria. Isso ocorre conosco e não seria diferente com ele. Acredito que, hoje, diante da obra de Freud e com a leitura de Lacan, podemos detectar, ou pelo menos tentar detectar esses diferentes fios invisíveis que sustentaram as articulações maiores ao longo da obra freudiana.

Quando, em 1911, Freud extrai a lógica do delírio psicótico, ele afirma algo espantoso, que foi polêmica na época e é polêmica psiquiátrica até hoje: o delírio não é a psicose, o delírio é a tentativa de cura dela. Lacan refere-se a esse problema em várias passagens, por exemplo, no Seminário 3 (1956-1957), quando afirma que, em todo delírio, vemos a mesma força estruturante, ou seja, a tentativa que o psicótico faz de se estruturar pela linguagem, pelo simbólico.

Fantasia e delírio, então, correspondem a dois elementos muito parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes. Freud, no ensaio sobre a Gradiva, utiliza a expressão fantasia delirante para se referir ao delírio. Expressão que associa neurose com psicose. A conseqüência direta disso é a dificuldade em distinguir com precisão os dois termos. Há, portanto, uma necessidade de dar à fantasia o lugar que ela tem no psiquismo.

Não é sem motivo que Lacan conceberá o fim da análise como ligado à questão da fantasia, mencionando a sua travessia. A fantasia é uma espécie de matriz psíquica que funciona mediatizando o encontro do sujeito com o real. Ela é uma matriz simbólico-imaginária que permite ao sujeito fazer face ao real do gozo.

Se tomarmos a noção de pulsão de morte na obra de Freud – que foi, na verdade, valorizada por Lacan -, veremos que o que ele chama de morte é o que Lacan chama de o gozo.

Há um vetor que rege nosso psiquismo. Para Freud, esse vetor único, fundamental, se chama pulsão de morte. Na leitura que faz de Mais Além do Príncipio do Prazer (1920), Lacan afirma que toda pulsão é pulsão de morte. Freud disse exatamente a mesma coisa com outras palavras.

Felizmente, muitos de nós não vivemos submetidos a esse vetor, que, por definição, é mortífero. Alguma coisa acontece que nos permite lidar de uma forma diferente com esse alvo da pulsão de morte: o gozo. Essa alguma coisa se chama fantasia.

Ela surge a partir de uma operação chamada recalque originário, operação agenciada por um significante, o significante Nome do Pai. O recalque originário resulta sobre o psiquismo da criança a imediata instauração dessa matriz psíquica: a fantasia. Esta, por sua vez, fará com que aquilo que era empuxo-ao-gozo, como diz Lacan – pulsão de morte, empuxo na direção da morte –, seja freado e passe a ser uma região na qual a pulsão de morte é sexualizada. Nessa região, a fantasia passa a dominar pelo menos um trajeto dessa pulsão de morte. É o que Freud chama de pulsão de vida e que, para nós, é a pulsão sexual.

Do lado desta temos o princípio de prazer, dominado pela fantasia, e do lado da pulsão de morte, o mais além do princípio de prazer.

Tudo isso ocorre nas neuroses e nas perversões. Em ambas, há ação do Nome do Pai, há recalque originário e, por conseguinte, a instauração da matriz psíquica chamada fantasia inconsciente fundamental.

No caso da psicose, essa constelação não ocorre, porque a foraclusão do significante Nome do Pai produz uma falha no recalque originário de tal modo que essa fantasia não se instaura e, por que ela não se instaura, o psicótico tenderá a, no melhor dos casos, a produzir um delírio que preencherá essa lacuna, esse vazio. Esse vazio é a própria psicose.

Neurose e Perversão
Tomemos, agora, a fórmula da fantasia para tentar ler nela a diferença que há entre neurose e perversão: $ ^ a.

Podemos ver nela dois pólos: se a fantasia é a articulação entre o inconsciente e a pulsão, podemos situar, no lado do $, o pólo inconsciente, e no lado do objeto a, o pólo pulsional. No primeiro pólo temos o sujeito, que é barrado pela linguagem, pelo significante, entre S1 e S2, e no segundo, o elemento que é aquilo que se inscreve na fantasia como mais-gozar, como a inscrição do gozo que era absoluto, mortífero e que, na fantasia, se transforma num gozo limitado: o gozo fálico. Este é o gozo submetido à linguagem, ao falo. Podemos, também, dizer que o pólo inconsciente é o pólo simbólico, e o pólo pulsional é o pólo real da fantasia. Do lado do primeiro – do $, do inconsciente, do simbólico – podemos situar o amor e do outro lado – do objeto a, da pulsão, do real – podemos situar o gozo.

Uma história de observação cotidiana, que me foi contada, muitos anos atrás, por um analista, é clarificadora em relação à questão do gozo, um conceito difícil em Lacan. Um menino de 5 anos observava o seu irmãozinho de leite mamando. Ao observar essa cena, ele virou pra mãe e disse: “Mamãe, eu também quero mamar”. E a mãe respondeu: “Mas você já mamou”. E ele disse: “Mas eu não sabia!”.

Assim, um menino de 5 anos nos ensinou, com quatro palavras, o que é o gozo para Lacan. O gozo é a perda que se inscreve na medida em que houve a entrada no mundo simbólico. O menino, olhando o irmãozinho, mamando, quis ter acesso àquele gozo que já foi perdido. Mas, ele não tem mais como achá-lo. Como sujeito falante, ele não tem mais acesso a esse gozo. Este está perdido. O que o menino queria era gozar sabendo e o que Lacan assegura é que há um corte radical entre saber e gozo. Quando há gozo, não há saber, quando há saber, não há gozo. Por isso que a análise, que dá acesso ao saber inconsciente, implica numa perda de gozo.

Se a fantasia é um elemento que se instaura para a criança como uma verdadeira contrapartida ao gozo que ela perdeu, a fantasia se dá, essencialmente, como uma fantasia de completude. A fantasia é fantasia de completude. Ela é a elisão da falta inerente à estrutura do falante. Houve perda de gozo. A fantasia, instaurada, é uma tentativa de recuperação daquilo que foi perdido.

Minha hipótese é a de que, se, na neurose, temos fantasia de completude, ela é uma fantasia de completude amorosa. O neurótico quer resgatar a completude perdida pelo viés do amor. Ele se fixa no amor. Ele se fixa no pólo inconsciente da fantasia e elide o pólo do gozo da fantasia.

Um jovem analisando, com uma tendência predominantemente obsessiva, certa vez, chegou numa sessão dizendo que concluíra que terminaria o seu namoro, porque sacou uma coisa muito importante. Se ele continuava sentindo atração física por outras meninas, era porque sua namorada não era a mulher da vida dele. A expressão “mulher da vida dele”, como outras tão comuns na cultura, mostra que, na neurose, existe a tentativa de, através do amor, preencher completamente o vazio e resgatar a completude perdida, elidindo totalmente esse aspecto do gozo.

Se a clínica analítica é uma clínica sob transferência, então, ela é na essência uma clínica da neurose.

Na perversão, houve a mesma entrada da fantasia, mas, por motivos históricos absolutamente singulares, a entrada do sujeito perverso no mundo do simbólico se deu através da fixação no outro pólo da fantasia, no pólo pulsional, no pólo de gozo. O perverso tem uma fantasia de completude de gozo. Ele almeja resgatar a completude perdida pelo viés do gozo.

Poderíamos, então, pensar que para o neurótico o fim da análise, enquanto uma travessia da fantasia, é uma travessia da fantasia amorosa; e de fantasia de gozo, para o perverso. O fim da análise implicaria em dar acesso ao neurótico ao pólo do gozo do qual ele tanto se defende, e, no caso do perverso, implicaria no acesso à dimensão do amor, da qual ele também se defende.

Mas, o que mais importa nessa travessia não é ter acesso ao outro pólo da fantasia, mas que, ao fazê-lo, o sujeito tenha acesso à dimensão que está escrita, no matema da fantasia, entre o $ e o a, que é a dimensão do desejo, inscrita no signo da punção: ^. O desejo, aqui, está escrito enquanto falta e é a presentificação daquela perda de gozo que esteve na origem da entrada do sujeito no mundo humano, no mundo do simbólico.

Ao ter acesso ao pulsional e ao gozo, e deixando de se fixar no pólo do amor, o neurótico terá acesso ao desejo. No perverso é o contrário. Porque, quando se tem acesso ao amor e ao gozo, tem-se perda de amor e perda de gozo.

Essa é a definição que eu proporia de desejo: desejo é duplamente uma perda de amor e de gozo, ou seja, a dimensão da falta de amor e da falta de gozo.

A frase de Lacan “só o amor pode fazer o gozo ceder ao desejo” resume essa elaboração, na medida em que há uma espécie de báscula entre amor e gozo.

Percebe-se, porém, que essa báscula ocorre não só nas estruturas clínicas como tais, mas também em um mesmo sujeito. É possível ver na clínica muito mais perversão do que comumente se presume.

Se tomarmos o fetichismo como o paradigma da perversão, teremos algo muito definido, mas não podemos nos contentar com isso. A perversão é um campo amplo demais e é necessário estender a percepção que temos dele. Diz-se que o perverso não busca análise, mas Freud não assegura isso e descreve casos de análise de perversão. O que ele afirma é que o perverso não procura análise pela perversão. Os casos de fetichismo de Freud são casos nos quais o paciente procurou tratamento por motivo diverso do fetichismo, que só foi descoberto durante o tratamento. Mas que questões levariam um perverso à análise? Provavelmente algum tipo de sofrimento, que suponho estar ligado ao que chamo de pólo amoroso da fantasia. Na perversão, escutamos o sujeito queixar-se da solidão na qual é jogado por certas posições perversas que adota. Ele chega a questionar isso. Ele chega a se sentir só.

Cito um exemplo dessa ordem. Um sujeito diz: “Eu não me ligo a ninguém, não tenho nenhuma relação com ninguém, porque sei que não vou conseguir. Depois de algum tempo começo a transar com outras pessoas”. Ao contrário do obsessivo a que me referi anteriormente, neste caso, o gozo fica como uma defesa em relação ao vínculo amoroso. O vínculo amoroso implica a alteridade, implica a diferença, implica certa castração do gozo. A definição que gosto da perversão é: ela é a abolição da diferença, a abolição do desejo do Outro. Ou seja, a perversão é a abolição daquilo que entra com toda força na intersubjetividade amorosa.

Mas vejam que, apesar de toda problemática em jogo nessa posição perversa, assim como na neurótica, ela é uma saída daquele vazio que chamamos de psicose. O que a inscrição do significante Nome do Pai provoca é a instauração de uma fantasia que recobrirá o vazio da psicose. E esta é uma assertiva importante porque coloca a psicose como a base do humano e, clinicamente, como uma falha na saída dessa base.

Lacan, numa daquelas passagens que só se comentam entre analistas, chegou a dizer que uma psicanálise levada muito longe conduziria à psicose. Isso se explica pela capacidade que a análise tem de desconstituir essa matriz psíquica simbólico-imaginária que é a fantasia e lançar o sujeito no vetor da pulsão de morte, a base da nossa estrutura psíquica. Tanto a neurose como a perversão são defesas, cada uma a sua maneira, contra a psicose. Acredito que a perversão é a primeira saída de fato, o primeiro corte, mas ainda com a manutenção de um traço que é forte na psicose: o gozo. Isso se inscreve na perversão, mas não como na psicose. Inscreve-se de outra maneira, pela presentificação do objeto a, do objeto mais-gozar.

Na neurose, há também essa saída, há um corte em relação à psicose. A dimensão que dominará, porém, é a do simbólico e, portanto, a dimensão do amor ao Pai, que vem, como radical alteridade, frear o empuxo ao gozo. E a criança neurótica se atém a esse elemento que a salvou. A fantasia amorosa é uma salvação. Freud desenvolve essa idéia principalmente num artigo do ciclo da fantasia, chamado Fantasias Histéricas e sua Relação com a Bissexualidade (1908). Trata-se de um texto sobre a relação entre pulsão e fantasia. É muito curioso que ele seja do primeiro dualismo pulsional e ainda não tenha a articulação entre pulsão de vida e aquela de morte. É possível, porém, encontrar todos os elementos sustentando que a fantasia freia o empuxo ao gozo da pulsão de morte.

O problema é que, como tudo no nosso psiquismo, a fantasia tem dois lados: ela é uma salvação, mas também é uma patogenia. Pelo próprio fato de que ela nos salvou da derrelição absoluta na qual estamos fadados pela pulsão de morte, vamos nos agarrar a ela com unhas e dentes. Isso é o que Freud chama de “fixação”. Agarramo-nos à fantasia com tanta intensidade, que ela passa a ser um núcleo da nossa vida, e passamos a produzir uma série de coisas chamadas “sintomas”, que são a perpetuação constante da nossa relação com a fantasia. Ela tem, então, uma dupla face: uma face de salvação e uma face de produção patológica.

E assim como há uma báscula entre amor e gozo nas estruturas clínicas e num mesmo sujeito, ela também aparece na cultura. A cultura traduz essas fixações. A história da música popular recente é um bom exemplo disso.

Em 1966, em Liverpool, nasceram dois grandes grupos de rock: os Beatles e os Rolling Stones. Os Beatles tiveram uma existência efêmera, foram um cometa que atravessou a existência da música e deixou rastros em todos nós. Os Rolling Stones existem até hoje, dando shows no mundo inteiro, gravando discos etc. O que me chama a atenção é que os Beatles foram um grupo que cantou essencialmente o amor. Por exemplo, “All you need is love”, para tomar uma canção deles que é paradigmática dessa posição. Já a canção paradigmática dos Rolling Stones é “Satisfaction”: “I can´t get no satisfaction, But I'll try, but I'll try, but I'll try”. É a própria pulsão falando...

Talvez esses grupos – e a presença deles em nossa vida e em nossa cultura – signifiquem que o amor é mais frágil que o gozo, que o gozo é a busca da satisfação absoluta que se repete com uma intensidade impressionante, na medida em que há esse vetor insistente em nós. Tudo indica que Mick Jagger cantará e dançará até os 80 anos. E nós com ele, o que é interessante.

Mas vamos também cantar com os Beatles. Poucos de nós sabem de cor a letra de uma música dos Rolling Stones, mas muitos aprenderam inglês com os versos de John Lennon e a música dos Beatles.

Mas a música não é o único exemplo cultural que temos das fixações nos pólos da fantasia. O pólo do amor se traduz também pela religião no qual há uma fixação nele por meio dela. E o pólo do gozo se traduz pela pujança do capitalismo.

É possível perceber certa rivalidade entre religião e capitalismo, que se expressa até pela arquitetura das cidades. Em Salvador, Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, é possível ver templos religiosos de novas seitas evangélicas construídos em frente aos grandes shopping centers. Um espelha o outro, brigando por primazia. Passamos, ali, no meio desses desfiladeiros de fixações de amor, na religião – porque a religião é uma fixação no amor: “Amai-vos uns aos outros” –, e de gozo, no capitalismo, com aqueles objetos todos que nos são oferecidos e vendidos de uma maneira tão excessiva.

Mas não é só a neurose e a perversão que se traduzem na nossa cultura, a psicose também o faz. E parece que ela o faz pela ciência. É preciso que nós, analistas, possamos dizer, com todas as letras, que a ciência está louca. A ciência enlouqueceu, perdeu os limites. Hoje, ela mistura espécies, clona os animais a bel-prazer e quer fazer isso com o ser humano. O ápice dessa loucura, desconfio, é seu intento de transformar a reprodução sexuada em reprodução assexuada. Isso é loucura. Não é à toa que, na cultura, existe a figura do cientista maluco. O cientista maluco é um traço da linguagem no inconsciente que denuncia que a ciência tem uma forte tendência à loucura, patente hoje em dia.

Evidentemente que fomos advertidos quanto a isso desde a época em que o homem foi a Lua. Ali, começava uma grande loucura, porque ir à Lua, é claro, é coisa de lunático.

A psicanálise propõe um quarto lugar da fantasia, diferente daqueles traduzidos pela religião, pelo capitalismo e pela ciência. Nem a fixação no amor, nem a fixação no gozo fálico, nem a fixação no gozo absoluto. Ela propõe um lugar do desejo, que é aquele lugar, no matema da fantasia, entre $ e a pequeno. Porque aquilo ali é um lugar, é um lugar da fantasia. E acredito que, na cultura, há, hoje, dois discursos que sustentam esse lugar: a psicanálise e a arte. A arte é também um discurso poderoso que tenta sustentar esse lugar do vazio e da falta.

NOTAS
1- Trabalho apresentado no XIII Fórum Internacional de Psicanálise - As Múltiplas Faces da Perversão, realizado em Belo Horizonte, de 24 a 28 de Agosto de 2004. Texto estabelecido, a partir da exposição oral, por Alexandre Louzada.
2- FREUD, "A perda da realidade na neurose e na psicose", in Obras completas, v.XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1976, p. 229.
3- FREUD, S., "Sobre a gênese do fetichismo", in Revista Internacional da História da Psicanálise, n.2, Rio de Janeiro, Imago, 1992, p.371-387.


BIBLIOGRAFIA
FREUD, S. “O delírio e os sonhos na 'Gradiva' de W. Jensen”, in Obras completas, v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S. “As fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade”, in Obras completas, v.IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S. “Pontuações psicanalíticas sobre um caso de paranóia (Dementia paranoides) descrito autobiograficamente”, in Obras completas, v.XII. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S. “Formulações sobre os dois princípios do acontecer psíquico”, in Obras completas, v.XII. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S. “Neurose e psicose”, in Obras completas, v.XIX. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S. “A perda da realidade na neurose e na psicose”, in Obras completas, v.XIX. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S., “Mais-além do princípio de prazer”, in Obras completas, v.XVIII. Buenos Aires: Amorrortu, 1996.
FREUD, S. “Sobre a gênese do fetichismo”, in Revista Internacional da História da Psicanálise, Rio de Janeiro: Imago, 1992.
LACAN, J. O seminário, livro 3: as psicoses. 2.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.



Creditos: Marco Antonio Coutinho Jorge
Psiquiatra. Psicanalista. Diretor do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise Seção Rio de Janeiro. Doutor em Comunicação pela UFRJ. Professor-adjunto do Instituto de Psicologia da UERJ. Membro correspondente da Association Insistance (Paris/Bruxelles)
 

Diferença entre neurose e psicose

Diferença entre neurose e psicose



Na neurose o indivíduo além de saber que é um neurótico, ele tem plena consciência dos seus atos, mas não consegue controlá-los, já os psicóticos não têm essa consciência, eles perdem a noção da realidade.


Os sintomas mais frequentes de um neurótico são:

  • Insatisfação geral, excesso de mentiras, manias, problemas com o sexo, dentre outros. Exemplos deles são o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)
  • Depressão e a Síndrome do Pânico.
Já a psicose é marcada por fases de delírios e alucinações. Podemos dar como exemplo de psicose a Esquizofrenia, o Transtorno Bipolar e o Autismo.Há cura para a neurose, já para a psicose não há cura definitiva.

Neuroses são distúrbios leves com poucas distorções da realidade tratada principalmente pelo psicólogo.É a desordem na personalidade que gera angustia e inibe suas condutas, é um conflito intra-psíquico.


Sintomas:
  • Insatisfações gerais
  • Manias
  • Problemas relacionados a área sexual
  • Excesso de mentiras ( mitomania)
Classificação:

Angustia:
  • Crises de choro imotivado
  • Depressão
  • Pensamentos suicidas
  • Doenças psicossomáticas
Fóbica:
  • Um objeto é a razão da angustia
  • Mania de perseguição
  • Fixação pelo objeto
Obssessiva - Compulsiva:
  • Pessoa sistemática e metódica
  • Manias de limpeza
  • Não aceita ser o que é
Histérica:
  • Pessoas emotivas ao extremo


    Já as psicoses é uma doença mental grave que afeta a personalidade na zona central do eu.
  • Delírios: falsa realidade percebida (acredita em conspiração contra ele se vê duas pessoas simplesmente conversando ou se julga Deus).
  • Alucinações: escuta vozes ou tem visões. Acredita que fontes externas controlam seus pensamentos. O escutar vozes é o mais comum.

* Nove pontos a serem considerados:

1. Autonomia psíquica: neurose apresentaria perda parcial, pouco implicando a personalidade, psicose com maior perda de autonomia, interferindo mais na personalidade;
2. Gravidade do quadro: neurose seria menos grave que a psicose, o que faria o leigo pensar que ela devesse ser tratada por filósofos ou psicólogos clínicos, e psicose, mais grave, tratada por psiquiatras;
3. Causa presumida: neurose seria preferentemente psicógena ou funcional, e psicose preferentemente somatógena ou orgânica;
4. Setores da psique: neurose comprometeria a emoção, e psicose, a razão e a vontade + ação.
5. Consciência da realidade: o neurótico não a perderia, o psicótico, sim;
6. Consciência da doença, estreitamente relacionado ao conceito anterior: o neurótico a teria, o psicótico não;
7. Comportamento social: o neurótico permaneceria socialmente organizado, o psicótico não;
8. Sensibilidade à psicoterapia: os psicóticos seriam refratários a ela;
9. Sinais e sintomas: seriam distintos e característicos para a neurose, e, para a psicose.

Porém, esses critérios aparentemente tão claros, são falhos, porque não resistem a uma crítica mais acurada.



A psicose não tem cura definitiva, a ingestão de remédios provocam a estabilização da doença que, entretanto, pode voltar a se manifestar, em surtos de cada vez maior intensidade, é marcada por fases de delírios e alucinações,(estágios lúcidos/críticos) durante os quais a pessoa pode desenvolver estados de dupla personalidade inconscientemente, ou seja, a própria pessoa não sabe que tem esta dupla personalidade.
Na neurose o indivíduo sabe que é neurótico e consegue distinguir seus desvios, ou seja, tem consciência deles, mas não consegue evitá-los.



Já o psicótico não é capaz de tal discernimento, confundindo-se quanto à ele mesmo.


Um caso típico de neurose é o kleptomaníaco, ou seja, a pessoa que não consegue controlar sua compulsão por realizar furtos.


Considera-se uma pessoa psicótica quando seu funcionamento mental interfere consideravelmente em sua maneira de enfrentar a vida.


Os problemas manifestam-se na forma de incapacidade de reconhecer a realidade, nas alterações de humor e ou déficit intelectual.
Os neuróticos podem agir de modo "normal", os psicóticos são incapazes de cuidar de si.




As neuroses também são classificadas da seguinte forma:

1) Distúrbios de ansiedade (fobia, pânico e distúrbios obsessivos compulsivos) :

- Fobia : medo excessivo ou absurdo. O fóbico se sente impotente para controlar seus sentimentos.
- Pânico : surgem de repente sem prévio aviso, sendo comum se manifestar com um terror incontrolável. Durante o ataque a respiração fica difícil, surgem tremores e tensão muscular. A ansiedade e irritabilidade podem levar a uma depressão.
- Distúrbios Obsessivos Compulsivos : São considerados como neurose quando não servem a nenhum propósito construtivo, são desgastantes e atrapalham a vida(relacionamentos).

2) Distúrbios Psicossomáticos:


Essa desordem caracteriza-se por problema físico, mas seus sintomas não apresentam bases orgânicas. No entanto como o conhecimento médico está longe de ser completo os sintomas de uma verdadeira doença podem ser erroneamente diagnosticados como conversão somática.

3) Distúrbios Dissociativos:

São caracterizados por alterações de consciência. Amnésia, fuga e personalidade múltipla.
Esses distúrbios são raros.


4) Distúrbios Afetivos:

-Depressão: Estado mais intenso e prolongado que a tristeza. É típico sentir-se sem remédio e rejeitado, ocorre em alguns o sentimento de morte e pensamentos de suicídio.
-Distúrbio Bipolar: Crises decorrentes de profunda depressão e mania ( euforia e excitação), neste aspecto os indivíduos ficam em êxtase e com incrível autoconfiança, ao mesmo tempo podem se irritar facilmente. O falar é rápido, manifestam idéias de grandeza,ao serem irritados ou zangados podem ficar extremamente violentos.



Os que tem o distúrbio afetivo quase sempre pensam ilogicamente, transformam problemas sem importância em verdadeiras catástrofes.


PSICOSES (Esquizofrenias) :


São estados que ocorrem no mundo todo. Não se tem um consenso sobre o que seja essa doença. Define pela perturbação do pensamento.
Alguns sintomas dos distúrbios esquizofrênicos :
* Alteração na percepção
* Desordem do pensamento
* Desordem emocional
* Delírios e alucinações
* Afastamento da realidade
* Comportamento estranha e distúrbios da fala

Esquizofrenia Paranóide:
Apresenta um certo grau de visão da realidade. A principal característica e a mania de perseguição.

Distúrbios de Personalidade:
Demonstração de ser anti-social ou psicopatia: os psicopatas não manifestam a noção do que é certo ou errado. Não tem medo e podem cometer o mesmo erro muitas vezes, mesmo sofrendo severas punições.